Isabel Cudell, Moving ON: “O Mundo pós-pandemia requer a modernização das políticas de mobilidade laboral”

Isabel Cudell

ENTREVISTA a Isabel Cudell, Diretora-Geral da Moving ON

Em tempos de pandemia, o setor de relocation em Portugal viu-se constrangido, devido à restrição da mobilidade das pessoas e à estagnação de alguns setores. Isabel Cudell, diretora-geral da Moving ON, contou-nos como a organização adaptou os seus serviços a esta realidade e qual a expectativa relativamente ao futuro da indústria, deixando alguns conselhos aos gestores de RH.

Atualmente, as necessidades e estratégias das empresas são bem diferentes das do início do ano passado. Como se encontra a vossa atividade e como adaptaram as vossas soluções e serviços a esta nova realidade?

A nossa atividade está a acompanhar a retoma gradual geral, apesar das limitações ainda em vigor e cujas consequências vamos sentir por algum tempo. Foram meses de pura gestão de processos em tempos de pandemia, como em tantos outros setores. Demos prioridade às medidas de segurança e adaptámo-nos, priorizando a comunicação com os clientes. Já tínhamos a oferta de consultoria online, o que permitiu adiantar virtualmente algum trabalho. Se não, o maior investimento foi na gestão dos processos e pessoas nos quatro cantos do mundo, com a flexibilidade e rigor requeridos. O nosso quotidiano é um equilíbrio entre as necessidades das empresas, as especificidades das famílias e o (bom) funcionamento dos serviços disponíveis.

Como se encontra o setor do relocation em Portugal e qual o caminho que esta indústria irá traçar nos próximos tempos?

Foi com grande satisfação que vimos nascer este ano a PAIIR – Portuguese Association of Immigration, Investment and Relocation, há muito desejada e que se está a revelar muito útil na defesa do investimento direto estrangeiro em Portugal – seja na vertente de migração corporativa ou de particulares. Temos ainda assistido algumas empresas de outros setores a acrescentar o serviço complementar de relocation à sua atividade principal. Isto tem acontecido com empresas de gestão imobiliária ou de mudanças, trazendo maior variedade de oferta.

Na sua opinião, quais as principais oportunidades e os principais riscos num programa de mobilidade? Como podem os gestores aproveitar a economia de custos de uma força de trabalho remota?

As oportunidades são globais – um bom programa de mobilidade permite ir buscar o melhor talento onde quer que ele esteja, sem medo da burocracia inerente e facilitando a integração. O maior risco é a falta de planeamento, como esta pandemia veio mostrar; a restrição da mobilidade das pessoas, a paralisação de alguns setores da economia e a (in)adaptação dos serviços públicos, que deixaram de atender os utentes, geraram um caos administrativo que afeta, naturalmente, o bom desenrolar dos investimentos e dos projetos, que precisam das pessoas. Um inquérito realizado recentemente pela Worldwide ERC® a líderes experientes na área dos recursos humanos descobriu que 80,9% dos empregadores com mais de 10 000 funcionários antecipa que 50% ou mais da sua força laboral desempenhará funções à distância de forma permanente. Simultaneamente, os desafios existentes, como a competição por talentos globais e assegurar que a relocalização das famílias decorre de forma segura, acentuaram-se à medida que os setores e países começam a sua reconstrução. O mundo mudou e surgiu um novo paradigma laboral, mas no cerne destas questões está a importância da mobilidade de talentos para a recuperação económica.

O grande desafio do nomadismo digital e da força de trabalho remota vai ser o conjugar das questões migratórias e fiscais de cada país ou região à particularidade de cada trabalhador.

É vital que as organizações globais sejam ágeis o suficiente para destacar a pessoa certa para o resultado organizacional certo. Que conselhos deixa aos gestores de RH no que diz respeito à valorização da mobilidade de talentos em contexto global?

O mundo pós-pandemia requer a modernização das políticas de mobilidade laboral, conforme comunicou a muito recente declaração conjunta da Primeira Convocatória das Associações da Indústria dos EUA, Canadá e Europa (WECAN2021. org): “Acreditamos firmemente que os países e indústrias com infraestruturas políticas que reconhecem a importância da aplicação dos talentos na recuperação económica recuperarão mais rapidamente.”
Na área de recrutamento, é necessário exigir políticas públicas que garantam às empresas o acesso e relocalização dos talentos necessários para reconstruir a sua força de trabalho, indústrias e economias a nível mundial. Aos profissionais de mobilidade de talentos é necessário dar o reconhecimento e a sensibilização progressiva relativamente ao valor dos inúmeros profissionais que trabalham na área da relocalização e ao papel crítico da indústria na recuperação e crescimento económico mundial.

Os conceitos de cidadania, residência e fiscalidade requerem muita atenção por parte das empresas, mas é possível desmistificá-las com preparação e uma visão holística do processo. Já existe um leque muitíssimo variado de soluções de apoio à mobilidade de talentos, desde formações, tecnologia – já há plataformas SaaS para todas as áreas – e recursos disponibilizados pelas associações do setor. Mesmo num contexto de teletrabalho, a mobilidade de talentos continua a ser fundamental. Talvez até mais importante agora, numa altura em que a economia para se revitalizar precisa de uma injeção de investimento, e de talento também. Onde quer que ele esteja.

Entrevista publicada na RHmagazine nº 134.

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