Central de Cervejas

A Central de Cervejas acaba de inaugurar um novo equipamento da operação de enchimento, um investimento de oito milhões. Reduzir o CO2 e poupar na eletricidade e consumo de água são as metas a atingir. A esta aposta há que somar outros investimentos

A pensar na sustentabilidade, a Sociedade Central de Cervejas – dona da Sagres – investiu oito milhões de euros numa nova linha de enchimento de garrafas com tecnologia de última geração. «Esta nova linha de enchimento está dotada de uma tecnologia que tem a capacidade para encher 55 mil garrafas por hora, apresenta uma elevada eficiência, flexibilidade e reduzido impacto ambiental, permitindo uma redução anual até 22% de consumo de CO2, uma poupança de 12.600kWh de eletricidade por ano e a diminuição anual de 96% do consumo de água».

De acordo com a empresa esta nova aposta é o culminar de um forte investimento que tem sido levado a cabo pelo grupo cervejeiro nos últimos cinco anos e que ronda os 140 milhões de euros. A fórmula assenta em projetos de modernização e de crescimento «que abrangem a expansão, a inovação, a sustentabilidade e energias alternativas, não só na Cervejeira de Vialonga, mas também na Sociedade Água de Luso e na Novadis distribuição». Nesse período, também se assistiu a um reforço de pessoal ao duplicar o número de funcionários para os atuais cerca de 1800, graças em parte à integração da distribuição na empresa.

Para o CEO da dona da Sagres não há dúvidas: «Esta inauguração constitui um marco com elevada importância para a Central de Cervejas e para a economia nacional. Continuar a crescer respondendo aos desafios do desenvolvimento sustentável é um compromisso que assumimos para o futuro, seja através do investimento em novos equipamentos ou na qualificação das nossas pessoas. Pretendemos continuar o nosso caminho pela via da modernização e de inovação, respondendo às necessidades dos consumidores de uma forma mais sustentável e gerando valor acrescentado para o mercado nacional e de exportação», afirmou Boris Miloushev.

Também presente nesta cerimónia esteve o ministro Adjunto e da Economia que elogiou a aposta na modernização e inovação da empresa. «Esta linha partilha de objetivos que devem ser centrais na atividade económica do futuro. E quando caminhamos para uma economia que tem de se preparar para os desafios das alterações climáticas, precisamos que todos os agentes económicos partilhem desse esforço», referiu Pedro Siza Vieira.

Estabilização Para trás ficou o clima de tensão que marcou o mês de maio com os trabalhadores da empresa a fazerem greve e deixando no ar a ameaça de rutura de stock no verão. No final de junho, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas acabou por chegar a acordo com o sindicato para aumentos salariais de 2,5%, ainda assim, longe dos 4% reivindicados, num mínimo de 40 euros.

As perspetivas são animadoras. Só os quatro meses de verão – de junho a setembro – representam cerca de 60% das vendas anuais destas bebidas. No entanto, as condições climatéricas, calor e pouco vento, são determinantes para uma boa época de vendas, pois a produção e distribuição de cerveja é uma das indústrias que mais sente o impacto das condições meteorológicas. Perde com o mau tempo, mas ganha com o calor.

Além disso, depois de vários anos de queda, o consumo voltou a subir em Portugal. De acordo com os indicadores AC Nielsen, o mercado cervejeiro nacional cresceu no primeiro trimestre 4,5% em volume e 9,6% em valor quando comparado com igual período do ano passado.

Já no passado, o consumo de cerveja em Portugal cresceu 8%, mas está ainda 14% abaixo dos valores registados em 2008, ou seja, antes da crise, segundo os últimos dados dos Cervejeiros de Portugal, associação que reúne os produtores de cerveja. «Estes resultados refletem quer o aumento do nível de confiança económica dos consumidores, quer o incremento da atividade turística em Portugal no último ano», diz a entidade.

A somar a estes números há que contar ainda com as exportações de cerveja que, no ano passado, rondaram os 200 milhões de litros, um crescimento de 12,6% face ao ano anterior. No caso da Central de Cervejas, os principais mercados de exportação são o europeu, sobretudo França, Luxemburgo, Inglaterra e Andorra e ainda os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Portuguesa só de nome Há muito que a cerveja Sagres deixou de ser detida por um grupo nacional. A Central de Cervejas foi comprada, em abril de 2008, pelo grupo Heineken, grupo cervejeiro líder europeu e uma das maiores empresas do mundo, que passou a deter o controlo a 100% da empresa.

Aliás, o mercado mundial de cervejas é dominado por poucos fabricantes, ou seja, é constituído por três multinacionais e centenas de empresas cervejeiras.

Texto: Sol